10 práticas essenciais para prevenir o burnout

grupo de pessoas em reunião com máscara

Burnout, síndrome que tem aumentado com as consequências económicas, sociais e profissionais do coronavírus. 82% dos profissionais já sofreram de burnout alguma vez na sua vida laboral 

Embora o conceito não seja novo, foi em 2020 que a OMS identificou o burnout como uma doença mental legítima e diagnosticável. Os seus efeitos são muitos e de longo alcance: desde problemas de saúde mental e física em toda a força de trabalho (e, como resultado, milhões de baixas médicas), às enormes quedas de produtividade, o esgotamento ou burnout é um problema que afeta tanto o empregador como o empregado. 

As perspetivas futuras são de que este síndrome aumente devido à pressão financeira sofrida pelo impacto económico da COVID-19, ao stress causado pelos riscos de saúde da pandemia, ao medo de perder o emprego ou às elevadas cargas de trabalho resultantes de cortes de pessoal.

A estes fatores adiciona-se a cultura do sucesso que vigora na nossa sociedade atual: “Parece que em todo o lado, principalmente em redes sociais como o LinkedIn, nos aparecem mensagens contraditórias de que é preciso flexibilidade no trabalho e saber desligar, mas que quanto mais se trabalha mais sucesso se terá. Isto, aliado à pressão dos líderes de equipa e das empresas que precisam de se manter competitivas neste contexto de crise, aumenta gravemente o risco de esgotamento ou burnout nos profissionais”, comenta François-Pierre Puech, Senior Manager da Robert Walters Portugal. 

Estatísticas extraídas do novo e-guide Combater o Burnout no Trabalho*

  • 82% dos profissionais já sofreu alguma vez de burn out;
  • 47% dos responsáveis de equipa acreditam que os seus colaboradores estão em risco de sofrer um burnout;
  • 73% dos profissionais consideram que as atividades sociais corporativas são importantes para combater este síndrome, embora apenas 43% das empresas as ofereça no seu programa de incentivos;
  • 65% dos profissionais gostariam de poder oferecer um feedback anónimo sobre os seus responsáveis, mas apenas 46% das organizações disponibilizam esta opção;
  • 61% dos empregados valorizam as atividades relacionadas com a saúde mental e física como muito importantes, mas apenas 34% das empresas inclui estas atividades no seu programa de benefícios; 
  • Os profissionais que acreditam que as suas métricas de performance são controladas por eles próprios têm 55% menos probabilidade de sofrer um burnout; 
  • Menos de 7% dos profissionais conhecem com total clareza e transparência os objetivos que devem cumprir para receber um bónus ou promoção;
  • 1 de cada 3 profissionais sente que não é recompensado de forma justa pelas suas contribuições para a empresa;
  • Apenas 18% dos profissionais inquiridos consideram que a sua função e responsabilidades lhes foram comunicadas adequadamente na oferta de emprego e no processo de entrevista que os levaram ao seu posto atual;
  • 42% dos inquiridos preferem trabalhar numa empresa que seja guiada por uma missão com a qual se identifiquem acima de outros fatores, como salário e benefícios.

O novo e-guide para Combater o Burnout no Trabalho da Robert Walters destaca 10 práticas chave a desenvolver pelas empresas de forma a evitar o esgotamento dos seus colaboradores:

1. Comunique os objetivos e metas claramente, fazendo revisões regulares, e implemente a regra 80/20

Nesta lógica, aproximadamente 20% das atividades são responsáveis por 80% dos resultados. Assim, destaque as tarefas mais importantes e prioritárias de maneira diária e regular para que a sua equipa possa concentrar a maior parte do tempo nas atividades que trarão mais impacto para o negócio. Além disso, quando as metas são revistas regularmente, é mais fácil identificar outliers significativos ou áreas de trabalho que podem ter sido responsáveis por tarefas excessivas.

2. Enfatize o bem-estar

Para evitar a exaustão dos seus funcionários, incentive-os a tirar férias sem se sentirem culpados por desligarem do trabalho. Além disso, fazer intervalos regulares no trabalho ajudará a melhorar o entusiasmo, a produtividade e a saúde mental da sua equipa. Adicionalmente, considere implementar iniciativas de bem-estar no seu local de trabalho, por exemplo aulas de yoga, acesso a aplicações de mindfulness e comida saudável.

3. Implemente políticas flexíveis

Medidas de trabalho flexível ou remoto podem reduzir a tensão e o stress na vida profissional dos seus funcionários, permitindo uma melhor conciliação da vida pessoal e profissional. Além disso, são uma forma de atrair o melhor talento, pois os profissionais de topo procuram oportunidades com esses benefícios. 

20% das atividades são responsáveis por 80% dos resultados. Assim, destaque as tarefas mais importantes e prioritárias de maneira diária e regular 

4. Crie incentivos para desligar

Não permitir que os seus colaboradores adicionem os seus e-mails profissionais ao telemóvel pessoal ou outros dispositivos que usem durante o tempo livre facilita a sua desconexão e evita que trabalhem fora de horas. Além disso, mostre respeito pelo "tempo em casa" dos seus colaboradores, limitando as comunicações de trabalho fora do horário de expediente.

5. Promova a autonomia dos seus colaboradores relativamente à sua função e desempenho

Uma das principais causas do burnout nos profissionais é a falta de controlo sobre o seu próprio trabalho, seja a gestão do volume de tarefas ou as suas possibilidades de desempenho. Os principais métodos para enfrentar este problema são:

  • Estabelecer expectativas do zero: a organização deve ser clara sobre as habilidades e competências que o cargo exige desde o início. Se se espera que uma função evolua ou mude com o tempo, deixe isso bem claro no processo de entrevista. 
  • Avaliação das possibilidades de desempenho: a existência de prazos apertados é comum em qualquer negócio, pelo menos de vez em quando, mas o esgotamento ocorre quando uma pessoa simplesmente tem demasiado que fazer ou falta de recursos e habilidades para fazer o que é exigido no tempo previsto. Recomendamos que se ofereçam aos profissionais as ferramentas e os recursos necessários para atender às suas necessidades e objetivos, como o eventual apoio de freelancers para terceirizar algumas atividades, ou de tecnologias que ajudem a automatizar tarefas repetitivas. 
  • Envolvimento na tomada de decisões: embora algumas decisões devam ser tomadas em privado, é fundamental consultar e demonstrar aos colaboradores que as suas contribuições são valorizadas e que fazem parte do futuro do negócio. Isto levará a um aumento na satisfação no trabalho e no interesse profissional e pessoal do colaborador no sucesso da empresa. 
  • Pedir feedback: é fundamental disponibilizar canais seguros para que os empregados possam dar a sua opinião sobre a empresa e a gestão dos seus responsáveis.

6. Reconheça e recompense os resultados

Garantir que os seus colaboradores sentem que são recompensados justamente pelo seu trabalho é uma maneira fundamental de melhorar a satisfação laboral e de prevenir o burnout. A recompensa não tem de ser sempre económica, podendo ser um reconhecimento público (em forma de elogios ou comentários positivos) ou intrínseco (sentir-se orgulhoso do resultado do próprio esforço). Acima de tudo, é importante recompensar os resultados em vez do número de horas passadas no escritório. Combater uma cultura de “presencialismo” é essencial para criar um ambiente de trabalho positivo e prevenir o esgotamento emocional.

7. Aposte na transparência e feedback relativamente às possibilidades de progressão de carreira

Implemente percursos de carreira e descrições de funções e objetivos de maneira transparente para que as pessoas saibam quais são as suas possibilidades de progressão reais e aquilo que é necessário para alcançar um determinado título, nível ou salário. Deve-se referenciar este plano regularmente e oferecer feedback relativamente ao progresso realizado, especialmente durante as avaliações anuais.

O esgotamento ocorre quando uma pessoa simplesmente tem demasiado que fazer ou falta de recursos e habilidades para fazer o que é exigido no tempo previsto

8. Invista na criação de uma comunidade

Uma cultura corporativa diversa, sólida e positiva que seja aberta a todo o tipo de profissionais aumenta o compromisso dos empregados, que se sentirão mais envolvidos com a empresa. Além disso, melhora a sua satisfação laboral e, consequentemente, diminui o risco de burnout. A realização de eventos corporativos, a implementação de plataformas de comunicação interna, a celebração de aniversários para aplaudir a singularidade de cada profissional ou as políticas de portas abertas são algumas das iniciativas que ajudam a criar este espírito de comunidade.

9. Garanta igualdade de oportunidades e imparcialidade

Permitir ambiguidades quanto aos critérios de promoção/aumento salarial pode facilmente levar a situações interpretadas como injustas. O estabelecimento de políticas salariais claras e alinhadas com o mercado de trabalho e a implementação de planos de mentoring que facilitem o crescimento e o desenvolvimento de todos os colaboradores resultarão na criação de um ambiente inclusivo e diverso. Em relação a acordos flexíveis de trabalho, estes não devem ser limitados aos funcionários com necessidades específicas, como trabalhadores com filhos, mas devem ser estendidos a toda a força de trabalho para demonstrar que todos os trabalhadores são iguais aos olhos da empresa, independentemente da sua condição ou situação familiar. 

Os colaboradores têm maior probabilidade de sofrer burnout caso não se sintam identificados ou se não souberem qual é a missão da sua empresa

10. Transforme palavras em ações: transmita e integre a missão da empresa nos seus processos

Os colaboradores têm maior probabilidade de sofrer burnout caso não se sintam identificados ou se não souberem qual é a missão da sua empresa. Assim, assegure que os perfis públicos da empresa (sites, redes sociais, comunicados de imprensa, relatórios...) transmitem de forma clara os seus valores e missão. Isto ajudará os seus empregados a entender melhor se se encaixam na organização, e como seu trabalho contribui para o sucesso da empresa. É verdade que um algumas organizações já incluem durante os seus processos de recrutamento uma entrevista com o objetivo de descobrir o "ajuste cultural" do candidato, em que os profissionais têm a oportunidade de experimentar a cultura da empresa, seja por meio de uma visita aos escritórios, um café com potenciais colaboradores ou a projeção de vídeos de eventos corporativos.

*Sobre o e-guide Combater o Burnout no Trabalho

Atualmente, milhões de profissionais estão sujeitos a uma cultura de esgotamento laboral. Enquanto tentam subir nas suas carreiras, são confrontados com cada vez mais mensagens encorajando-os a levantarem-se mais cedo, a trabalharem mais e até dormir menos. Neste guia sobre o burnout exploram-se as estratégias que as organizações podem implementar para ajudar a combater o esgotamento nas suas principais causas e garantir que os funcionários mantêm uma relação saudável com seu trabalho. Solicite o e-guide de forma totalmente gratuita aqui.

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