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Recursos Humanos e as novas tecnologias

60% dos profissionais acreditam que a seleção de um colaborador continuará a basear-se no instinto profissional e não em evidências estatísticas

Os departamentos de Recursos Humanos e a função de seleção são cada vez mais apoiados por soluções tecnológicas, como chatbots e software de filtragem automática de CV. No entanto, 93% dos profissionais consideram que o contacto pessoal continuará a ser essencial numa entrevista de emprego e que a decisão final sobre a contratação do candidato depende mais da intuição do que de evidências estatísticas.

A pesquisa "HRTECH: Tecnologia e inovação em recursos humanos" da Robert Walters, abarcando mais de 400 empresas e 3,400 profissionais em Espanha e Portugal, analisa as mais recentes soluções tecnológicas aplicadas ao mundo do recrutamento e seleção, bem como a perceção e receção destes novos métodos e ferramentas por parte dos profissionais e responsáveis de contratação.

Os principais insights extraídos do relatório são os seguintes:

9 em cada 10 profissionais consideram que o contacto pessoal é essencial num processo de recrutamento

Mais de 90% dos profissionais afirmam que o contacto pessoal é essencial durante um processo de recrutamento e seleção. Seguindo a mesma lógica, 84% das empresas nunca confiariam num software para realizar todas as etapas que compõem o processo, nomeadamente a última fase de entrevistas ou a fase de negociação da oferta de emprego. A automatização das fases de triagem de CVs e contacto por e-mail pré-entrevista são as únicas etapas em que a tecnologia é considerada útil (38% dos profissionais). 

Apenas 1% dos profissionais acreditam que uma entrevista pessoal não acrescenta nenhum valor ao processo de seleção

Para 74% dos inquiridos, o principal valor que uma entrevista pessoal oferece é a oportunidade de manter uma conversa descontraída com o responsável de contratação.

Para 10%, uma entrevista pessoal ajuda a conhecer o ambiente, cultura e valores da empresa contratante através do entrevistador, e para 4% dos inquiridos permite a possibilidade de estabelecer um relacionamento profissional de médio / longo prazo com o entrevistador. Uma percentagem muito pequena (1%) considera que uma entrevista pessoal não acrescenta nenhum valor ao processo de seleção.

Os processos de seleção são condicionados pela necessidade de contacto pessoal, pelo que apenas certas partes se prestam à automatização.

Apenas 7% dos profissionais aceitam de forma positiva ser descartados por um software

64% dos profissionais não consideram adequado que sua candidatura seja descartada por uma ferramenta tecnológica. Apenas 7% são favoráveis a esta metodologia, pois nesse caso o processo de seleção e descarte baseia-se exclusivamente em dados estatísticos. Por outro lado, uma percentagem significativa de profissionais (74%) pensa que o software de filtragem automática poderia excluir candidatos adequados com base na sua programação (por exemplo: o profissional não incluiu as palavras-chave consideradas pelo programa no seu currículo).

60% dos profissionais acreditam que a escolha de um profissional continuará a basear-se na intuição profissional e não em evidências estatísticas

Apenas 9% acreditam que a seleção de um profissional dependerá principalmente de evidências estatísticas. 6 em cada 10 pensam que "o instinto" e a experiência anterior do recrutador acabarão por ter precedência sobre os dados extraídos de um software tecnológico. Os restantes 31% revelam-se duvidosos - nem de acordo nem em desacordo – relativamente a esta questão. 

“Os processos de seleção são condicionados pela necessidade de contacto pessoal, pelo que apenas certas partes se prestam à automatização. Compreender o funcionamento interdepartamental, transmitir nuances culturais, desenvolver estratégias de envolvimento personalizadas e comunicar mensagens específicas exige habilidades humanas, como empatia e pensamento crítico. Por outro lado, aspetos do processo de contratação, como a inclusão/exclusão de dados, envio de testes ou agendamento de reuniões e entrevistas, seguem fluxos de processos específicos – aqui a automatização de processos já é viável e preferível.” Marco Laveda, CEO Latam e South Europe na Robert Walters.

7 em cada 10 profissionais acreditam que os dados obtidos através de software não têm sentido em si mesmos

81% dos profissionais consideram que os especialistas em Recursos Humanos são essenciais para manter o equilíbrio entre as capacidades humanas e a eficiência das tecnologias durante o processo de recrutamento. Nessa mesma linha, 70% opinam que os dados extraídos de um software não têm significado ou valor até que o profissional de RH os intérprete e os aplique a contextos únicos.

Metade dos profissionais não gostaria de ter que resolver dúvidas básicas sobre uma oferta de emprego com um chatbot

53% dos profissionais não valorizam positivamente ter que resolver dúvidas básicas sobre uma posição (benefícios, horário de trabalho, funções, salário, etc.) com um chatbot em vez de com uma pessoa.

43% dos profissionais não querem dar o seu consentimento para um software analisar as suas redes sociais

Apesar de 80% dos profissionais não se oporem à ideia de ter um software a analisar o seu CV, se entrarmos no campo de verificação de redes sociais, normalmente utilizado para avaliar o encaixe do candidato com a cultura corporativa da empresa contratante, a situação varia significativamente, pois apenas 55% se sentiriam à vontade para dar o seu consentimento para uma ferramenta tecnológica verificar sua impressão digital nas redes sociais.

Relatório "HRTECH: Tecnologia e Inovação em Recursos Humanos"

Neste estudo analisamos as últimas tendências relativas a softwares de recrutamento e de RH, bem como o papel dos profissionais e empresas nessas novas tecnologias de trabalho. Os dados do relatório são baseados numa pesquisa da Robert Walters em Espanha e em Portugal a 3,400 profissionais de diferentes áreas profissionais (banca, seguros, contabilidade, finanças, RH, finanças, jurídico, IT, digital, marketing, vendas, engenharia, energia, indústria, logística e supply chain, farmacêuticas, saúde, biotecnologia, real estate e infraestrutura, entre outros) e a 400 responsáveis de seleção de empresas pertencentes a um maior número de setores; para além de entrevistas pessoais a consultores especialistas do Grupo Robert Walters, e em business cases desenvolvidos pelo nosso Departamento de Inovação Global.

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