As mulheres devem desafiar o status quo e tentar alcançar os seus objetivos, indo além da sua zona de conforto

Surabhi Raju, IT&Digital Consultant na Robert Walters Portugal


Surabhi Raju, consultora da divisão de IT&Digital na Robert Walters Portugal, revela as principais barreiras que é preciso superar para alcançar uma carreira internacional de sucesso.

Depois de terminar os seus estudos em Administração de Empresas e Marketing em Bombaim (Índia), Surabhi iniciou a sua carreira no mundo do recrutamento, um setor onde encontrou a sua verdadeira vocação.

Como começaste a tua carreira em recrutamento, e porquê a Robert Walters?

Trabalhei numa agência de publicidade após terminar o curso, porém senti que gostava de continuar a aprender e a crescer, pelo que fui fazer um MBA em Dwarka, Nova Delhi. Depois de concluir este último, decidi seguir para uma posição relacionada com a gestão de pessoas. Considero-me uma pessoa fácil de se relacionar com os outros, por isso fazer parte da indústria de recrutamento sempre me atraiu e motivou bastante.

Entretanto, mudei-me para Portugal e trabalhei numa start-up tecnológica no departamento de recursos humanos. Já conhecia o Robert Walters Group antes de me oferecerem a oportunidade de trabalhar no escritório de Lisboa. Gostei da marca, dos seus valores, do seu alcance global, do seu objetivo e do seu modelo de trabalho, e assim tornou-se claro que era o lugar onde eu queria estar. Penso que é uma experiência única na vida, trabalhar fora do meu país numa empresa assim, sendo uma excelente oportunidade de me desafiar ao trabalhar com uma equipa tão internacional e de me manter atualizada sobre as últimas tecnologias e tendências de recrutamento.

Experimentaste pessoalmente algum preconceito de género implícito ou explícito ao fazer um processo de recrutamento? Se sim, foste capaz de desafiá-lo?

Não sofri nenhum tipo de discriminação direta e isso inclui a minha experiência de trabalho na Índia, país tipicamente conservador. A única discrepância que realmente notei foi mais no campo económico. Através dos processos de recrutamento, pude verificar que as mulheres podem receber entre 10 e 12% menos que os homens; além disso, às vezes há uma preferência por contratar homens para cargos considerados "complexos", como funções de programação e engenharia.

Que modelos a seguir te inspiraram?

Uma das minhas maiores inspirações foi Indra Nooyi, ex-CEO da PepsiCo Worldwide, que quebrou todo o tipo de barreiras, incluindo o chamado “teto de vidro”.  Ao longo da sua carreira profissional, Indra deu-nos uma série de lições, das quais destacaria duas: primeiro, como indivíduos e organizações, precisamos de ver o talento de maneira neutra, sem ter em consideração o género. Em segundo lugar, devemos evitar os nossos preconceitos inconscientes e tomar decisões de negócios de maneira estritamente racional.

Quais são os teus 3 principais conselhos para mulheres que desejam ter sucesso nas suas carreiras?

Na minha opinião, o mais importante é ter uma mentalidade de crescimento. É crucial que nos concentremos no nosso objetivo pessoal para alcançar o que queremos na vida. Temos de ser flexíveis em caso de contratempos e não podemos desistir se estes acontecerem. É importante considerar cada experiência como uma oportunidade de aprendizagem, boa ou má, e tentar avançar para a próxima etapa a partir daí.

O segundo conselho que gostaria de partilhar é que o preconceito ou estereótipo não deve interferir no nosso caminho. Todos nós temos ideias preconcebidas devido à nossa origem cultural e ao lugar em que crescemos, mas, à medida que o mundo evolui, não podemos deixar que esses preconceitos nos limitem quando se trata de alcançar os nossos objetivos. Temos que desafiar o status quo, planear e promover algo novo pela primeira vez, não nos limitarmos e permanecer abertas às oportunidades que surgem.

O mais importante é ter uma mentalidade de crescimento

O meu último conselho é para todas as pessoas e não apenas para as mulheres: estejam sempre abertos à mudança. Neste mundo em constante movimento, a mudança é o que há de mais constante; portanto, devemos levantar-nos e ser capazes de nos adaptar à mesma velocidade a que as mudanças ocorrem. Isto ajudará sem dúvida a ter sucesso na vida profissional e pessoal de todos.

Dirias que as mulheres não deveriam ter medo de desafiar o status quo?

Sim, sem dúvida. Como referi anteriormente, acho que as mulheres devem quebrar o status quo. É necessário que tentemos alcançar os nossos objetivos, procurando ir além das nossas próprias zonas de conforto. As referências femininas de todo o mundo tiveram de desafiar vários limites para chegar onde chegaram. Partilho um dos meus vídeos preferidos onde se fala sobre como romper barreiras na vida profissional:

https://www.youtube.com/watch?v=dQzvkvMl9tE

O que pode fazer um recrutador para ampliar as perceções e desafiar os estereótipos nos processos de recrutamento?

Uma das principais técnicas que utilizamos é dizer aos nossos clientes para não olharem para o candidato como homem/mulher, mas como puro talento. Além disso, enviamos sempre os perfis sem os detalhes de género, e falamos de maneira a que os clientes não consigam perceber se o candidato é homem ou mulher até o conhecerem pessoalmente. 

Finalmente, garantimos que os salários oferecidos aos candidatos dos nossos projetos internos e externos sejam iguais independentemente do género, mesmo que às vezes ocorram casos em que a mulher está a auferir menos que seu concorrente masculino na organização anterior em que se encontrava. 

Partilhar:

François-Pierre Puech,
He for She 

»

Empowering Women in the Workplace 

»

Conheça o nosso propósito  

»